Close

Ópera em Pauta

25 de Novembro de 2019

Theatro Municipal de São Paulo

Foto: Bruno M. Viana

Marcos Apolo Muniz

​​​​​​​Secretário de Estado de Cultura e Economia Criativa do Amazonas

Bom dia a todos os presentes e membros da mesa do evento “Ópera em Pauta”.

Além do meu papel como secretário de Cultura, eu gostaria de destacar o meu envolvimento pessoal com a história das 22 edições do Festival Amazonas de Ópera e com o Teatro Amazonas.

Quando comecei a trabalhar no Teatro Amazonas, aos 20 anos de idade, encontrei um teatro que era vazio de corpos artísticos, que funcionava apenas como um museu. Ao longo de duas décadas, eu vi o teatro se tornar uma verdadeira fábrica de cultura.

Sou uma testemunha das 22 edições do Festival Amazonas de Ópera. No início, fiz parte da equipe técnica que ajudava em todas as montagens de palco: da iluminação aos cenários. O primeiro desafio foi justamente dominarmos os ofícios de maquinaria, contra-regragem e todos os aspectos operacionais que envolvem a montagem de grandes espetáculos. Fomos nos profissionalizando até criarmos uma central técnica que nos permitiu confeccionar cenários e figurinos localmente.

A partir daí, a busca foi pela excelência. O FAO começou a convidar grandes especialistas de todo o mundo para capacitar os profissionais locais e colocar todas as áreas técnicas em alinhamento com os padrões internacionais de qualidade.

O que ficou bem claro durante toda essa trajetória, é que a ópera fala uma linguagem universal, que envolve praticamente todas as outras formas de expressão artística, como pintura, escultura, figurino, maquiagem cênica e até mesmo fotografia, vídeo e projeção.

Além das áreas artísticas, o festival também é capaz de gerar oportunidades de trabalho para a população. Em 2019, O FAO gerou cerca de 700 postos de trabalho diretos. Para podermos entender o que isso significa, estamos falando de números maiores do que os empregos gerados por alguns setores da Zona Franca de Manaus, como por exemplo o de brinquedos, o têxtil, o madeireiro e o de vestuário e calçados, de acordo com dados do relatório “Indicadores de Desempenho do Polo Industrial de Manaus”, publicado pela Suframa em 21 de março de 2019.

É hora de entendermos o festival como um “parque industrial de cultura”, que contribui para impulsionar o desenvolvimento social e econômico de Manaus e do Amazonas.

Na área de urbanismo, o festival influenciou uma completa revitalização do entorno do teatro, que conta hoje com dez novos restaurantes, cafés e lanchonetes. Sete hotéis foram abertos, sendo um deles de padrão cinco estrelas.

Na área social, cerca de sete mil alunos recebem formação em música e dança, gratuitamente, com profissionais dos corpos artísticos do Teatro Amazonas.

A central técnica é uma referência no país, com acervo impressionante de produções, formação de técnicos, costureiras, serralheiros, marceneiros, escultores, aderecistas.

Também nos negócios se vê a transformação. O evento movimenta o comércio de tecido, tinta, madeira e ferro. Existem hoje seis lojas de instrumentos musicais e de som, áudio e vídeo que permitem comprar ou alugar na própria cidade quase todo o equipamento necessário para shows e espetáculos.

O Festival Amazonas de Ópera é um marco definitivo nas agendas turísticas dos cruzeiros internacionais que aportam na cidade, além de ser muito querido pelo público local.

Hoje, o FAO é o maior festival de ópera do Brasil e suas montagens têm reconhecimento internacional. Em 2019, o Teatro Municipal de Santiago, no Chile, e também o Theatro Municipal do Rio de Janeiro apresentaram a montagem da ópera “Fausto”, com cenários e figurinos criados e desenvolvidos em Manaus.

Olhando para o passado, posso ver o tamanho do impacto que a arte teve na minha comunidade. Me orgulho muito ao pensar que o FAO e o Teatro Amazonas possam inspirar outras cidades, estados e teatros a promoverem revitalizações similares. É possível, e nós fizemos.